Será que alguém consegue me escutar?
Daqui, do escuro em que me encontro, tudo parece tão distante.
Os barulhos de multidão soam longe. As risadas e música alta se misturam.
A luz que já fora tão clara agora é uma feixe, longe.
Já fiz de tudo pra tentar sair daqui.
Já pedi a Deus e a todos os santos que minha família católica me ensinaram.
Já cortei os cabelos, renovei o guarda roupa, pintei as unhas de vermelho.
Já larguei o emprego chato, já viajei pra Europa, já mergulhei em leituras de todo tipo.
Já fiz dieta e perdi alguns kilos, virei frequentadora assídua da acadêmia e a massagem tem surtido efeito.
Já cortei os cabelos, renovei o guarda roupa, pintei as unhas de vermelho.
Já larguei o emprego chato, já viajei pra Europa, já mergulhei em leituras de todo tipo.
Já fiz dieta e perdi alguns kilos, virei frequentadora assídua da acadêmia e a massagem tem surtido efeito.
Já fui pra balada quatro dias na semana, bebi mais do que devia, dancei até ficar exausta.
Já exercitei meu poder de sedução, fiz sexo apenas por necessidade física e perdi as contas de quantas bocas beijei.
Já sonhei, acreditei, me empolguei e apostei.
Já briguei, já chinguei, já me dissiludi e desisti.
Já exercitei meu poder de sedução, fiz sexo apenas por necessidade física e perdi as contas de quantas bocas beijei.
Já sonhei, acreditei, me empolguei e apostei.
Já briguei, já chinguei, já me dissiludi e desisti.
Já voltei atrás, já perdoei, já me decepcionei.
Já fiz terapia, curso de gastronomia e aula de pole dance.
Já fui pra praia terça-feira de manhã, pra igreja quinta-feira a tarde, pro açaí no domingo.
Já assisti muitos filmes, já joguei imagem e ação, já perdi a "paciência".
Já tentei o budismo, frequentei centro espírita, rezei sozinha olhando pra lua.
Já fui pra praia terça-feira de manhã, pra igreja quinta-feira a tarde, pro açaí no domingo.
Já assisti muitos filmes, já joguei imagem e ação, já perdi a "paciência".
Já tentei o budismo, frequentei centro espírita, rezei sozinha olhando pra lua.
Já liguei de madrugada pra quem não devia, procurei no celular uma mensagem que nunca chegou, já mandei e-mail de desculpas.
Já pensei em ir embora, em mudar de cidade, morar em outro país.
To pensando até em me fantasiar, pintar o cabelo de loiro, me vestir como punk.
Já fiz tudo, mais um pouco, ainda além
Já pensei em ir embora, em mudar de cidade, morar em outro país.
To pensando até em me fantasiar, pintar o cabelo de loiro, me vestir como punk.
Já fiz tudo, mais um pouco, ainda além
Tudo isso e nada.
Nada desse vazio ser ocupado.
Nada de ter respostas da vida.
Nada do sentido ser encontrado.
Nada de achar alguém que seja mais do que um corpo e segundas intenções.
Nada.
Nada de ter respostas da vida.
Nada do sentido ser encontrado.
Nada de achar alguém que seja mais do que um corpo e segundas intenções.
Nada.
E ainda parece que estou falando sozinha.
Escuto apenas a minha própria voz, em eco, ressoando no vazio da minha mente.
Ninguém deve me escutar mesmo.
Nada pior do que viver uma vida toda se sentindo estrangeira, extra terrestre, vinda de algum lugar "far far away".
Como diria Clarice, se vive apesar de. Apesar de tudo isso.
Escuto apenas a minha própria voz, em eco, ressoando no vazio da minha mente.
Ninguém deve me escutar mesmo.
Nada pior do que viver uma vida toda se sentindo estrangeira, extra terrestre, vinda de algum lugar "far far away".
Como diria Clarice, se vive apesar de. Apesar de tudo isso.
Sigo falando, gritando, esperando o dia em que até o meu sussuro mais baixo será ouvido.
A.P.

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