quinta-feira, 27 de outubro de 2011




"Pode pensar o que quiser, ainda acho a reciprocidade uma das coisas mais gostosas - e divertidas - desse mundo."

Fernanda Mello

terça-feira, 25 de outubro de 2011



Será que alguém consegue me escutar?
Daqui, do escuro em que me encontro, tudo parece tão distante.
Os barulhos de multidão soam longe. As risadas e música alta se misturam.
A luz que já fora tão clara agora é uma feixe, longe.
Já fiz de tudo pra tentar sair daqui.

Já pedi a Deus e a todos os santos que minha família católica me ensinaram.
Já cortei os cabelos, renovei o guarda roupa, pintei as unhas de vermelho.
Já larguei o emprego chato, já viajei pra Europa, já mergulhei em leituras de todo tipo.
Já fiz dieta e perdi alguns kilos, virei frequentadora assídua da acadêmia e a massagem tem surtido efeito.
Já fui pra balada quatro dias na semana, bebi mais do que devia, dancei até ficar exausta.
Já exercitei meu poder de sedução, fiz sexo apenas por necessidade física e perdi as contas de quantas bocas beijei.
Já sonhei, acreditei, me empolguei e apostei.
Já briguei, já chinguei, já me dissiludi e desisti.
Já voltei atrás, já perdoei, já me decepcionei.
Já fiz terapia, curso de gastronomia e aula de pole dance.
Já fui pra praia terça-feira de manhã, pra igreja quinta-feira a tarde, pro açaí no domingo.
Já assisti muitos filmes, já joguei imagem e ação, já perdi a "paciência".
Já tentei o budismo, frequentei centro espírita, rezei sozinha olhando pra lua.
Já liguei de madrugada pra quem não devia, procurei no celular uma mensagem que nunca chegou, já mandei e-mail de desculpas.
Já pensei em ir embora, em mudar de cidade, morar em outro país.
To pensando até em me fantasiar, pintar o cabelo de loiro, me vestir como punk.
Já fiz tudo, mais um pouco, ainda além
Tudo isso e nada.
Nada desse vazio ser ocupado.
Nada de ter respostas da vida.
Nada do sentido ser encontrado.
Nada de achar alguém que seja mais do que um corpo e segundas intenções.
Nada.
E ainda parece que estou falando sozinha.
Escuto apenas a minha própria voz, em eco, ressoando no vazio da minha mente.
Ninguém deve me escutar mesmo.
Nada pior do que viver uma vida toda se sentindo estrangeira, extra terrestre, vinda de algum lugar "far far away".
Como diria Clarice, se vive apesar de. Apesar de tudo isso.

Sigo falando, gritando, esperando o dia em que até o meu sussuro mais baixo será ouvido.

A.P.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011



"Sinto falta dela. Deixá-la em casa depois de uma viagem é como partir de novo, mas sem saber aonde ir, principalmente, com quem. Sozinho. E já sinto saudade de Gin. Estou preocupado com isso. Será que fiquei romântico demais?"

Federico Moccia - Sou louco por você

domingo, 23 de outubro de 2011

 
 
 
"Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.


Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de “minha vida”. Outros fragmentos, daquela “outra vida”. De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.


Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.


Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector “Tentação” na cabeça estonteada de encanto: “Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível”. Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.


De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.


Era isso – aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.


Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome."


Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 20 de outubro de 2011



"Ter uma vida interessante é outra coisa: é cair e levantar, se movimentar, relacionar-se com as pessoas, não ter medo de mudanças, encarar o erro como um caminho para encontrar novas soluções, ter a cara-de-pau de se testar em outros papéis - e humildade para abandoná-los se não der certo. Uma vida interessante é outro tipo de vida feliz: a que passou ao largo dos contos-de-fada. É o que faz você ter uma biografia com mais de 10 páginas.”

Martha Medeiros

quarta-feira, 19 de outubro de 2011



"Se você está pensando
Que eu estou me importando
Claro que eu estou
Eu não sou feito essa gente
Que ama, e de repente
Tchau, e se acabou
Não, eu sofri muito, demais
Porque a minha grande paz
Vinha toda de você
É, pus você alto demais
Com cuidados tão legais
Que nem vi você descer


Mas a gente continua
Sai e anda na rua
Entre a multidão
Os amigos dão mão forte
E há nada que conforte
Mais que o violão
É, vou cuidar melhor de mim
Vou fazer meu samba assim
Bem alegre e natural
É, você vai saber de mim
Muita nota no Ibrahim
Muito nome no jornal

Ri melhor que ri no fim
Melhor quem ri no fim
Melhor quem ri no fim"

Quem ri melhor - Vinícius de Moraes e Marília Medalha

segunda-feira, 17 de outubro de 2011



"Até que ela "desculpe, mas conheci outra pessoa". Aí descobri porque os humanos em geral dão preferência aos díspares (pessoa errada, os opostos, blablablá). Pura covardia. Você não escolhe a pessoa, mais um fim personalizado, de acordo com o que pode suportar. Os opostos se despedem mais facilmente. Falta de afinidade é independência. Não importa o que diz a matemática, nesse caso dois ímpares não formam um par. Em amores divergentes, o problema é de fácil solução: ela fica as edições de capa dura da Jane Austen, ele vai com toda série pirateada das "Brasileirinhas". E fim.

O brabo é ter colhões pra decidir quem fica com aquela temporada completa de "The O.C." ou aquela antologia do Bob Dylan que ambos pagaram alternadamente as prestações do cartão de crédito. Separações acontecem diariamente e quase ninguém nota, a não ser que os envolvidos são casais de sintonia fina, nações irmãs, quando você não consegue demarcar fronteiras. Esses estão em apuros, porque dia mais, dia menos, serão decepados um do outro ironicamente por aquilo que tinham em comum em primeira mão. Você já conhece todas as canções que ela quer te mostrar, então qual o propósito? Se o amor é previsível, a tarefa de surpreender fica para o fim."

Gabito Nunes

sexta-feira, 7 de outubro de 2011



"E mesmo que meus passos sejam falsos, mesmo que os meus caminhos sejam errados, mesmo que meu jeito de levar a vida te incomoda, eu sei quem sou, e sei pelo que devo lutar, se você acha que meu orgulho é grande, é porque nunca viu o tamanho da minha FÉ!"

Tião Carreiro