quinta-feira, 31 de março de 2011



As coisas tem que passar, os dias têm que mudar, os ares têm de ser novos e a vida continua, com ou sem qualquer um.”

Caio Fernando Abreu.

quarta-feira, 30 de março de 2011





Pelo menos uma vez por mês aparece uma chamada não atendida tua no meu celular. Não sei porque, se é Deus brincando com a gente ou se é o destino complicando tudo, mas só vejo depois que você ligou. E aí eu só retorno quando chego, puxando fogo e de madrugada, de uma festa qualquer. As vezes com vontade de te xingar, pedir pra você sumir e nunca mais me procurar, outras pra relembrar um passado, antes de tudo ter ir por água a baixo. Mas não nos falamos, parece jogo de gato e rato.

Eu morro de curiosidade de saber algumas coisas. O que será que você quer me falar quando me liga? Será que suas palavras serão de desculpas, pedidos de perdão? Será que terás argumentos para me convencer do seu arrependimento e a superar os teus erros? O que será que você ainda pensa, depois de sete meses da minha ausência na sua vida? Como são os momentos em que me ligas? Estás lembrando de mim? Por qual motivo? Não esqueces a minha voz, a minha risada, a forma como carinhosamente te chamava? Estás sozinho, teve um dia difícil, a solidão bateu? Como tem sido a sua vida longe de mim?

Eu até tenho andando pela tua cidade, passado ao lado do teu apartamento, frequentado lugares que estivemos juntos, mas é como se você não estivesse mais lá. Aquela cidade, aliás, já nem é mais tua, é tão minha como essa, em que vivo há mais de 20 anos. É claro que lembro de você. Sinto sua falta nos dias em que chego em casa, cansada e estressada, querendo alguém pra desabafar, alguém que mesmo na distância se fazia tão presente. Sinto falta de quem éramos quando estávamos juntos, da cumplicidade que tínhamos, do companheirimo. Você alegrava os meus dias tristonhos e eu ocupava, no seu final de dia, o vazio de quem passa o tempo ocupado com algo que não sabe se realmente é aquilo que quer fazer da vida. Nosso ponto de encontro. Aquela operadora de telefonia, a varanda da tua casa, a cama do meu quarto e um elo, invisível, que nos unia e fazia com que a sua presença fosse mais forte do qualquer outra coisa e a minha vida, por alguns instantes, minutos, muitas vezes horas, tinha um outro sentido, um outro colorido. Há quem diga que a gente precisa do olhar do outro pra existir, que a gente precisa se ver no outro olhar para ter, legitimado, a existência como seres humanos de relação. E eu digo que, se isso for verdade, eu existi quando estivemos juntos. Eu senti que eu não era mais uma pessoa, entre tantas milhares que passam por mim na rua, eu era única, especial, diferente e não precisava de mais ninguém, porque eu tinha você e o seu olhar, que me fazia sentir a mulher mais especial e amada da redondesa.

Me iludi, quis me iludir. A "culpa" não foi somente sua, apesar das inúmeras oportunidades que tivestes de fazer diferente, fazer outras escolhas, me assumir, se assumir, ter coragem e encarar o que a gente já tinha, mas tinha medo de nomear. A gente foi se perdendo um do outro, fomos adotando ritmos diferentes e passamos a dançar estilos completamente destintos. Quando eu estive pronta pra te assumir, pra mim e pros outros, você não estava e porque não pode, não conseguiu ou, simplesmente, porque não quis, acabou se retirando dessa história. Se tudo tivesse acabado aí, nesse instante, talvez hoje, as suas procuras e pedidos de desculpas poderiam amolecer meu coração, eu, muito provavelmente, cederia e iria, de novo, para os seus braços. Mas o que aconteceu depois disso deixou uma marca que não tem como negar, esconder, esquecer ou apagar. Tudo o que aconteceu depois jogou terra no que de bonito a gente viveu. Tudo o que aconteceu depois transformou em ruína o castelo antes construído. Tudo o que aconteceu depois manchou, talvez para sempre, uma linda história.

A sua traição foi o que de pior poderia ter nos acontecido. E não estou falando da traição do corpo, da pele, do desejo. Eu fiquei com outras pessoas enquanto estávamos enrrolados e creio que você também deva ter feito mesmo, embora eu nunca, em momento algum, tenha deixado que essas pessoas se aproximassem o suficiente para colocar o que nós tinhamos em risco, já que a gente era mais, bem mais, importante pra mim. Estou falando da traição do sentimento, da honestidade, do respeito, da amizade. Estou falando do quanto, em momento algum você cuidou de mim. Cuidar, não como quem cuida de um cristal ou de um monte de açúcar que pode se molhar, mas como quem cuida de ser sincero, de não iludir, enganar, de dizer e prometer coisas que não iriam ser cumpridas, de ser sincero mais do que comigo, mas com você mesmo.

Você me traiu não só como homem, mas como amigo, como pessoa. Então hoje, por mais que eu sinta falta de você e do que um dia tivemos, eu não posso, não quero, não devo, sentir saudades. Saudades, pra mim, é vontade do retorno, de querer voltar a um passado, um momento, um lugar, um tempo ou então de ter de novo, novamente, no presente. Então, claro que eu lembro de ti, talvez sempre me lembre. Me pergunto o que será que fizestes com o CD que te dei, se usa a camiseta do seu aniversário, se ainda tens minhas fotos, se os lugares também te fazem pensar em mim, se teve ciúmes quando soube que eu estava com outro, como reagiríamos se nos esbarracemos em um samba qualquer. E por essas lembranças eu até posso por um instante pensar em repensar, eu até posso, no fundo, torcer por uma atitude sua, que os seus argumentos me convençam, que você lute por nós e faça diferente, que você teime, insista, faça birra no portão da minha casa, que seja capaz de alguma atitude mais corajosa e firme. Mas logo em seguida, ao olhar pra frente, eu vejo o depois e ele existe, não consigo não ver

A mágoa, a dor, a decepção, a tristesa que me calsastes foi dura e profunda, me mudou para sempre, carrego uma cicatriz enorme no peito. Uma cicatriz que hoje cicratizou mas não porque foi cuidada, dado pontos, passado cicatrizante. Ela cicatrizou porque tinha que cicatrizar, daquelas que se fecham de dentro pra fora e deixam uma marca de queloite que não tem maquiagem, comésticos ou cirurgia plástica que tire. Eu não sou a mesma que você conheceu e isso tanto pode ser ruim como ser bom. Como alguém que quebrou o fêmur. Doeu horrores, sofreu, chorou, mas fez uma cirurgia, substitui o osso por uma placa de titânio, e mesmo que a função esteja reestabelecida, que a vida continue, se envelheça e a perna esteja, aparentemente, a mesma, quando chove ou quando a temperatura esfria o titânio dói, acena um olá pra você não esquecer que ele esta ali, uma lembrança de algo vivido e que mesmo tendo sido superado deixou marcas, pro resto da vida.

Talvez eu sempre te ame e talvez eu também sempre carregue no olhar, ao tocar no seu nome, ao ver o teu número chamar, ao te ver em algum lugar, essa sombra no meu olhar, essa dor que embora cicatrizada insiste em não me deixar esquecer. Eu não volto porque eu não consigo. Eu até gostaria, mas eu não consigo. Talvez você nunca tenha a noção da dimensão do que aconteceu e talvez seja até melhor assim pra você. Eu só não posso é te ter por perto, de forma alguma. Eu só não quero é lidar com o seu fantasma, de tempos em tempos, batendo a minha porta pra me assustar. Eu só não vou é alimentar você, que não mudou.

"Mesmo querendo eu não vou me enganar, eu conheço os seus passos, eu vejo os seus erros, não há nada de novo, ainda somos iguais, então não me chame, não olhe pra trás. Você diz não saber o que houve de errado e o meu erro foi crer que estar ao seu lado bastaria (...) Eu quis dizer, você não quis escutar, agora não peça, não me faça promessas. Eu não quero te ver nem quero acreditar que vai ser diferente, que tudo mudou."

Ao futuro fica o nosso encontro, mas por favor, que fiquemos por aqui, agora. Mesmo um dia tendo te amado tanto, por te amar talvez para sempre, mas é por amar primeiro a mim que é melhor que seja assim.

quinta-feira, 24 de março de 2011





"Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas. Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto."

Caio Fernando Abreu




“Escolher o dia. Apreciá-lo ao máximo. O dia como ele vem. As pessoas como elas vêm. O passado, eu acho, me ajudou a apreciar o presente e eu não quero estragar nada disso por idealizar um futuro.”

Audrey Hepburn




"Vai menina, fecha os olhos. Solta os cabelos. Joga a vida. Como quem não tem o que perder. Como quem não aposta. Como quem brinca somente."


Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 23 de março de 2011



“É preciso variar, se não tivermos cuidado a vida torna-se rapidamente previsível, monótona, uma seca.”

José Saramago.

terça-feira, 22 de março de 2011


"Estou numa época que prefiro um bom sapato a um homem mais ou menos. Pelo menos o sapato aumenta minha autoconfiança e eu sei exatamente onde ele irá me machucar."

Fernanda Mello


"Solidão prolongada me ensinou a ser exigente. Quando me tornei minha melhor companhia, só me apaixonei por pessoas absolutamente incríveis."

Marla de Queiroz

sábado, 19 de março de 2011



"Eles não estavam trocando juras de amor, não andavam de mãos dadas, nem se chamavam por nomes infantis. Não tinha pieguice romântica ali. Mas foi a cena mais doce que eu vi: dois olhares se encontrando. Não só se encontrando: se confortando, se sabendo, se completando. Eu notei que eles eram algo além de amigos, que se desejavam e se protegiam, e foi só pela cumplicidade dos olhos, que deixavam de ser dois e se enlaçavam quatro.

Eu quis então ter um olhar pra mim. Não alguém pra chamar de meu, como diz o clichê, como grita a conveniência, mas um olhar que fosse meu por puro encaixe. Foi um pouco de inveja, talvez. Eu soube naquelas duas pessoas que elas não se sentiam sozinhas ou perdidas. Que mesmo depois de um dia cheio e chato, tinham uma certeza de carinho. E eu quis. Quis algo além da rotina do trabalho e gente fabricada com seus narizes perfeitos e cabelos penteados. Quis algo certo como o frio na barriga e a respiração travada, o coração esquecendo de bater. Quis algo errado que me fizesse bem só por escapar do caminho óbvio de toda noite. Uma espera no fim do dia, sabe? Essa espera. Não a espera de uma vida toda sem saber o que buscar pra ser feliz. Só sair do dia igual pra ter uma noite diferente. E tornar esse diferente comum só porque é bom estar perto.

Todo o amor que eu sufoquei por excesso de razão agora grita, escapa, transborda. Estou só numa multidão de amores, assim como Dylan Thomas, assim como Maysa, assim como milhões de pessoas; assim como a multidão de amores está só, em si. Demonstro minha fragilidade, meu desamparo. Eu não procuro alguém pra pentencer e ter posse, só quero uma fonte segura de amor que não dependa das obrigações, das falas decoradas, dos scripts prontos. Eu sei que eu abri mão de várias oportunidades. Sei que fiz pouco caso do amor que me entregaram de maneira pura e gratuita, só porque eu achava que podia encontrar coisa melhor. Se as pessoas estão sempre indo e vindo, eu só queria alguém minimamente eterno em sua duração, que me fizesse parar de achar normal essa história de perder as pessoas pela vida.

Vou embora querendo alguém que me diga pra ficar. Estou sempre de partida, malas feitas, portas trancadas, chave em punho. No fundo eu quero dizer "Me impede de ir. Fica parado na minha frente e fala que eu tenho lugar por aqui, que não preciso abandonar tudo cada vez que a solidão me derruba. Me ajuda a levar a vida menos a sério, porque é só vida, afinal." E acabo calada, porque não faz sentido dizer tudo isso sem ter pra quem.

Eu não quero viver como se sobrevivesse a cada dia que passo sozinha. Não quero andar como se procurasse meu complemento em cada olhar vago. Eu acho que mereço mais que isso por tudo o que eu sei que posso fazer por alguém. E fico só esperando, na surpresa do dia que eu desencanar de esperar, um par de olhos que me faça ficar sem nenhuma palavra, nada além de dois olhos se enlaçando quatro. Nessa multidão de amores, sozinho é aquele que não espera."

Verônica Heiss 

terça-feira, 15 de março de 2011



"Com os relacionamentos anteriores aprendi: o que está no passado tem motivos para não fazer parte do seu presente."

Desconheço autoria

segunda-feira, 14 de março de 2011



"(...) porque no fim a gente fica sabendo que assim como amar, ser amado também é uma coisa que se aprende."

Gabito Nunes


“O coração de uma mulher é um labirinto de sutilezas que desafia a mente grosseira do homem trapaceiro. Para realmente possuir uma mulher é preciso pensar como ela, e a primeira coisa a fazer é ganhar a sua alma. O resto, o doce e fofo embrulho que nos faz perder os sentidos e a virtude, vem por acréscimo.”

Carlos Ruiz Záfon.

domingo, 13 de março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011



"Não desista, vá em frente. Sempre há uma chance de você tropeçar em algo maravilhoso. Nunca ouvi falar em ninguém que tivesse tropeçado em algo enquanto estava parado."

Caio Fernando Abreu


"Eu desejo que desejes ser feliz de um modo possível e rápido; desejo que desejes uma via expressa rumo a realizações não utópicas, mas viáveis; que desejes coisas simples como um suco gelado, depois de correr ou um abraço ao chegar em casa; desejo que desejes com discernimento e com alvos bem mirados. Mas desejo também que desejes com audácia, que desejes uns sonhos descabidos e que ao sabê-los impossíveis não os leve em grande consideração, mas os mantenha acesos, livres de frustração; desejes com fantasia e atrevimento, estando alerta para as casualidades e os milagres, para o imponderável da vida, onde os desejos secretos são atendidos. Desejo que desejes trabalhar melhor, que desejes amar com menos amarras, que desejes parar de fumar, que desejes viajar para bem longe e desejes voltar para teu canto; desejo que desejes crescer e que desejes o choro e o silêncio, através deles somos puxados pra dentro; eu desejo que desejes ter a coragem de se enxergar mais nitidamente. Mas desejo também que desejes uma alegria incontida, que desejes mais amigos e nem precisam ser melhores amigos, basta que sejam bons parceiros de esporte e de mesas de bar, que desejes o bar tanto quanto a igreja, mas que o desejo pelo encontro seja sincero; que desejes escutar as histórias dos outros, que desejes acreditar nelas e desacreditar também, faz parte este ir-e-vir de certezas e incertezas; que desejes não ter tantos desejos concretos, que o desejo maior seja a convivência pacífica com outros que desejam outras coisas. Desejo que desejes alguma mudança, uma mudança que seja necessária e que ela não te pese na alma; mudanças são temidas, mas não há outro combustível para essa travessia. Desejo que desejes um ano inteiro de muitos meses bem fechados, que nada fique por fazer, e desejo, principalmente, que desejes desejar, que te permitas desejar, pois o desejo é vigoroso e gratuito, o desejo é inocente; não reprima teus pedidos ocultos, desejo que desejes vitórias, romances, diagnósticos favoráveis, mais dinheiro e sentimentos vários, mas desejo, antes de tudo, que desejes, simplesmente."

Martha Medeiros

quarta-feira, 9 de março de 2011



"Daí a gente acorda optando pela leveza, mesmo sabendo que ela pode durar pouco. E já não liga. Não liga porque sabe que o amanhã já existe dentro da gente."

Solange Maia

domingo, 6 de março de 2011

Ver e Ouvir




"Claro, o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã e tudo chegará no tempo exato. Mas e o dia de hoje? Não quero saber de medo, paciência, tempo que vai chegar. Não negue, apareça. Seja forte. Porque é preciso coragem para se arriscar num futuro incerto. Não posso esperar. Tenho tudo pronto dentro de mim e uma alma que só saber viver presentes. Sem espera, sem amarras, sem receios, sem cobertas, sem sentido, sem passados. É preciso que você venha nessa exato momento. Abandone os antes. Chame do que quiser. Mas venha. Quero dividir meus erros, loucuras, beijos, chocolates. Apague minhas interrogações. Porque estamos tão perto e tão longe? Quero acabar com as leis da física, dois corpos ocuparem o mesmo lugar. Não nego. Tenho um grande medo de ser sozinha. Não sou pedaço. Mas não me basto."

Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 3 de março de 2011



"A mais carinhosa também é a mais bruta
a mais inteligente é ao mesmo tempo a mais sensível

a mais bonita é a mais emburrada
a mais esperta é ao mesmo tempo a mais mundo da lua
a mais bem humorada também é a mais chorona
a mais falante é ao mesmo tempo a mais secreta
a mais velha é ao mesmo tempo a mais moleca
a mais moça também é a mais madura
uma não vive sem a outra e eu não vivo sem as duas."


Martha Medeiros em: Cartas Extraviadas e Outros Poemas

terça-feira, 1 de março de 2011



"Soltava sorrisos ao vento e ouvia:

- Uma hora eles voltam pra você."

Caio Fernando Abreu


"Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem - na verdade - a gente é."

Fernanda Mello