quinta-feira, 29 de dezembro de 2011




"Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

Cora Coralina 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

 
 
"Abre a janela, da tua sala, da tua alma. Deixa que o vento entre e refresque, e traga cheiros novos. Senta no portão e assiste ao sol ir embora e a lua chegar. Entende que até a natureza é feita de fases e estações. Tudo muda, tudo passa, nenhum dia é igual ao outro, nenhum rosto se repete, nenhum gosto é idêntico. Se despede do dia e aproveita a noite. Não esquece que amanhã, bem cedinho, o sol vai estar de novo na tua janela."

Daniella L

sábado, 24 de dezembro de 2011




"Passou. Pronto. Virei o disco, troquei de músicas, me renovei comigo mesma. Me enxergo mais pronta, ‘me descobri’ mais inteira, mais leve para sentir, mais provada de aromas, mais… Minha. Hoje sou muito mais Eu-para-mim, do que Eu-para-nós."

Caio Fernando Abreu

domingo, 18 de dezembro de 2011




“Assim como tudo na vida, amores e amigos vêm e vão e, fico aqui perguntando baixinho, quem sou eu então pra decidir que os meus não deveriam ir? Não adianta mais prometer que será pra sempre. Eu não quero promessas. Promessas criam expectativas e expectativas borram maquiagens e comprimem estômagos. Eu não quero dor. Eu não quero olhar no espelho e ver você escorrer, manchando minha maquiagem. É pelo medo de cair de novo que meus joelhos tremem. Eu quero, no mínimo uma garantia. E eu só preciso me desfocar do sonho que me deixa míope e enxergar além, ou melhor: enxergar o que está na minha cara. Antes de dormir rezei, pedi a Deus que perdoe tanta ingratidão de minha parte, por não enxergar tudo de bom que a vida me oferece, e continuar aqui me lamentando e fazendo tudo por você.”

Tati Bernardi.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

 
 
"Uma minúscula e ainda baixa “vozinha” me diz que além dos meus textos eu tenho também muitos charmes, graças e belezas. Além dos meus espinhos eu tenho também muitas flores. E que sim, eu posso ser amada. Porque não ter alguém agora, agarrado aos meus pés, não significa não ser um calo persistente até mesmo em solas curtidas e acostumadas com a corrida. Descubro coisas terríveis e maravilhosas a respeito do amor. As coisas são como são. E na hora certa."

Tati Bernardi

domingo, 11 de dezembro de 2011



"Você é linda, sua velha rabigente, e se eu pudesse
te dar só um presente
para o resto da sua vida seria este.
Confiança.
Seria o presente da confiança.
Ou isso ou uma vela perfumana."

David Nicholls - Um Dia

sábado, 10 de dezembro de 2011




"Não é que acordei me achando hoje? Agora neguinho me trata mal e eu não deixo. Agora neguinho quer me judiar e eu mando pastar."

Caio Fernando Abreu

domingo, 4 de dezembro de 2011



"Meu amor, eu já sou outra e sendo outra não sou mais sua."

Tati Bernardi
   

quarta-feira, 16 de novembro de 2011




"A partir de hoje, só o que for muito, muito leve, bonito e fácil. A grande maioria desiste. Eu, só estou abrindo mão. Concordo contigo, também aconteceu comigo: o meu coração partiu. Para outro lugar."

Gabito Nunes

terça-feira, 15 de novembro de 2011




“Quando quiser ser, seja! Quando quiser ir, vá! Quando quiser voltar atrás, volte! Quando sentir que deve fazer algo, faça! Ninguém sabe melhor do que você o que você tem que fazer, quando tem que fazer e de que jeito tem que ser feito. Vá em frente. VIVA, com letras maiúsculas!”   

Caio Fernando Abreu

domingo, 6 de novembro de 2011



"Visto-me de coragem e calço
as sandálias aladas dos meus desejos.
Vou para o mundo enfrentar desafios
e espalhar sorrisos."

Lígia Guerra

quinta-feira, 27 de outubro de 2011




"Pode pensar o que quiser, ainda acho a reciprocidade uma das coisas mais gostosas - e divertidas - desse mundo."

Fernanda Mello

terça-feira, 25 de outubro de 2011



Será que alguém consegue me escutar?
Daqui, do escuro em que me encontro, tudo parece tão distante.
Os barulhos de multidão soam longe. As risadas e música alta se misturam.
A luz que já fora tão clara agora é uma feixe, longe.
Já fiz de tudo pra tentar sair daqui.

Já pedi a Deus e a todos os santos que minha família católica me ensinaram.
Já cortei os cabelos, renovei o guarda roupa, pintei as unhas de vermelho.
Já larguei o emprego chato, já viajei pra Europa, já mergulhei em leituras de todo tipo.
Já fiz dieta e perdi alguns kilos, virei frequentadora assídua da acadêmia e a massagem tem surtido efeito.
Já fui pra balada quatro dias na semana, bebi mais do que devia, dancei até ficar exausta.
Já exercitei meu poder de sedução, fiz sexo apenas por necessidade física e perdi as contas de quantas bocas beijei.
Já sonhei, acreditei, me empolguei e apostei.
Já briguei, já chinguei, já me dissiludi e desisti.
Já voltei atrás, já perdoei, já me decepcionei.
Já fiz terapia, curso de gastronomia e aula de pole dance.
Já fui pra praia terça-feira de manhã, pra igreja quinta-feira a tarde, pro açaí no domingo.
Já assisti muitos filmes, já joguei imagem e ação, já perdi a "paciência".
Já tentei o budismo, frequentei centro espírita, rezei sozinha olhando pra lua.
Já liguei de madrugada pra quem não devia, procurei no celular uma mensagem que nunca chegou, já mandei e-mail de desculpas.
Já pensei em ir embora, em mudar de cidade, morar em outro país.
To pensando até em me fantasiar, pintar o cabelo de loiro, me vestir como punk.
Já fiz tudo, mais um pouco, ainda além
Tudo isso e nada.
Nada desse vazio ser ocupado.
Nada de ter respostas da vida.
Nada do sentido ser encontrado.
Nada de achar alguém que seja mais do que um corpo e segundas intenções.
Nada.
E ainda parece que estou falando sozinha.
Escuto apenas a minha própria voz, em eco, ressoando no vazio da minha mente.
Ninguém deve me escutar mesmo.
Nada pior do que viver uma vida toda se sentindo estrangeira, extra terrestre, vinda de algum lugar "far far away".
Como diria Clarice, se vive apesar de. Apesar de tudo isso.

Sigo falando, gritando, esperando o dia em que até o meu sussuro mais baixo será ouvido.

A.P.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011



"Sinto falta dela. Deixá-la em casa depois de uma viagem é como partir de novo, mas sem saber aonde ir, principalmente, com quem. Sozinho. E já sinto saudade de Gin. Estou preocupado com isso. Será que fiquei romântico demais?"

Federico Moccia - Sou louco por você

domingo, 23 de outubro de 2011

 
 
 
"Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.


Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de “minha vida”. Outros fragmentos, daquela “outra vida”. De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.


Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.


Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector “Tentação” na cabeça estonteada de encanto: “Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível”. Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.


De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.


Era isso – aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.


Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome."


Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 20 de outubro de 2011



"Ter uma vida interessante é outra coisa: é cair e levantar, se movimentar, relacionar-se com as pessoas, não ter medo de mudanças, encarar o erro como um caminho para encontrar novas soluções, ter a cara-de-pau de se testar em outros papéis - e humildade para abandoná-los se não der certo. Uma vida interessante é outro tipo de vida feliz: a que passou ao largo dos contos-de-fada. É o que faz você ter uma biografia com mais de 10 páginas.”

Martha Medeiros

quarta-feira, 19 de outubro de 2011



"Se você está pensando
Que eu estou me importando
Claro que eu estou
Eu não sou feito essa gente
Que ama, e de repente
Tchau, e se acabou
Não, eu sofri muito, demais
Porque a minha grande paz
Vinha toda de você
É, pus você alto demais
Com cuidados tão legais
Que nem vi você descer


Mas a gente continua
Sai e anda na rua
Entre a multidão
Os amigos dão mão forte
E há nada que conforte
Mais que o violão
É, vou cuidar melhor de mim
Vou fazer meu samba assim
Bem alegre e natural
É, você vai saber de mim
Muita nota no Ibrahim
Muito nome no jornal

Ri melhor que ri no fim
Melhor quem ri no fim
Melhor quem ri no fim"

Quem ri melhor - Vinícius de Moraes e Marília Medalha

segunda-feira, 17 de outubro de 2011



"Até que ela "desculpe, mas conheci outra pessoa". Aí descobri porque os humanos em geral dão preferência aos díspares (pessoa errada, os opostos, blablablá). Pura covardia. Você não escolhe a pessoa, mais um fim personalizado, de acordo com o que pode suportar. Os opostos se despedem mais facilmente. Falta de afinidade é independência. Não importa o que diz a matemática, nesse caso dois ímpares não formam um par. Em amores divergentes, o problema é de fácil solução: ela fica as edições de capa dura da Jane Austen, ele vai com toda série pirateada das "Brasileirinhas". E fim.

O brabo é ter colhões pra decidir quem fica com aquela temporada completa de "The O.C." ou aquela antologia do Bob Dylan que ambos pagaram alternadamente as prestações do cartão de crédito. Separações acontecem diariamente e quase ninguém nota, a não ser que os envolvidos são casais de sintonia fina, nações irmãs, quando você não consegue demarcar fronteiras. Esses estão em apuros, porque dia mais, dia menos, serão decepados um do outro ironicamente por aquilo que tinham em comum em primeira mão. Você já conhece todas as canções que ela quer te mostrar, então qual o propósito? Se o amor é previsível, a tarefa de surpreender fica para o fim."

Gabito Nunes

sexta-feira, 7 de outubro de 2011



"E mesmo que meus passos sejam falsos, mesmo que os meus caminhos sejam errados, mesmo que meu jeito de levar a vida te incomoda, eu sei quem sou, e sei pelo que devo lutar, se você acha que meu orgulho é grande, é porque nunca viu o tamanho da minha FÉ!"

Tião Carreiro

domingo, 4 de setembro de 2011



"Salve o amor. Aquele de conchinha e barba na nuca, que pode durar pra sempre ou só até amanhã. Aquele amor sem medo, sem freio, que ama e pronto. Salve o amor que a gente dá e pega de volta outra hora, outro dia, com outra pessoa. Aquele aconchego facinho que não posa, não se esforça, não finge. Salve o amor-próprio, que resolve a vida de muitos, o amor das amigas, que aguenta, arrasta e levanta. Salve o amor na pista, que roça, se esfrega, se joga e vai embora. Um amor só pra hoje, sem pacote pra presente, sem laço ou dedicatória. Salve o primeiro amor, que rasgou, perfurou, corroeu... ensinou. Salve o amor selvagem, o amor soltinho, o amor amarradinho. Salve o amor da madrugada, sincero enquanto dure e infinito posto que é chama. Salve o amor nu, despido de inverdades e traquitanas eletrônicas. Salve o amor de dois a dez, um amor sem vergonha, sem legenda. Salve o amor eterno, preenchido de muitos ardores. Salve o amor gigante, mas sem palavras, o rotativo e o escrito, salve o amor rimado, cego, de quatro. Salve o amor safado, sincero e sincopado, o amor turrão e o encaixado."

Lia Block

sábado, 27 de agosto de 2011



"Faço um muro de palavras entre mim e as pessoas. Sou autoexplicativa só pra confundir."

Marla de Queiroz

quarta-feira, 24 de agosto de 2011



"(...) Eu sou da teoria que precisamos de alguém que já venha inteiro. Porque a pessoa que vem inteira sabe respeitar espaços, a pessoa que se sente completa aceita que você não é igual, e principalmente, a pessoa que aprendeu a totalidade sozinha sabe que dividir algo com você não implica em nenhuma perda para ela. Acredito que a troca no relacionamento só é completa quando cada um é inteiramente proprietário das suas ações. E que não é a metade da laranja que faz você ser completo, mas as lições que você aprende durante sua incompletude. Essas sim serão imprescindíveis e farão você dividir completamente tudo que existe dentro de você."

Fernanda Gaona

sexta-feira, 19 de agosto de 2011



"Preciso de segurança, de amor, de compreensão, de atenção, de alguém que sente comigo e fale: Calma, eu estou com você e vou te proteger! Nós vamos ser fortes juntos, juntos, juntos."


Caio Fernando Abreu

terça-feira, 16 de agosto de 2011



"O riso alto e gostoso é a primeira peça de roupa que você despe de uma garota."

Gabito Nunes

sexta-feira, 12 de agosto de 2011



"Engasga. Engole as palavras. Tosse para respirar. Mas se o nó na garganta apertar... diz tudo! E desnuda a alma."

Fernanda Mello

terça-feira, 9 de agosto de 2011



"Não quero viver como uma planta que engasga e não diz a sua flor. Como um pássaro que mantém os pés atados a um visgo imaginário. Como um texto que tece centenas de parágrafos sem dar o recado pretendido. Que eu saiba fazer os meus sonhos frutificarem a sua música. Que eu não me especialize em desculpas que me desviem dos meus prazeres. Que eu consiga derreter as grades de cera que me afastam da minha vontade. Que a cada manhã, ao acordar, eu desperte um pouco mais para o que verdadeiramente me interessa.

Não quero olhar para trás, lá na frente, e descobrir quilômetros de terreno baldio que eu não soube cultivar. Calhamaços de páginas em branco à espera de uma história que se parecesse comigo. Não quero perceber que, embora desejasse grande, amei pequeno. Que deixei escapulir as oportunidades capazes de bordar mais alegrias na minha vida. Que me atolei na areia movediça do tédio. Que a quantidade de energia desperdiçada com tantas tolices poderia ter sido útil para levar luz a algumas sombras, a começar pelas minhas.

Que eu saiba as minhas asas, ainda que com medo. Que, ainda que com medo, eu avance. Que eu não me encabule jamais por sentir ternura. Que eu me enamore com a pureza das almas que vivem cada encontro com os tons mais contentes da sua caixa de lápis de cor. Que o Deus que brinca em mim convide para brincar o Deus que mora nas pessoas. Que eu tenha delicadeza para acolher aqueles que entrarem na roda e sabedoria para abençoar aqueles que dela se retirarem.

Que, durante a viagem, eu possa saborear paisagens já contempladas com olhos admirados de quem se encanta pela primeira vez. Que, diante de cada beleza, o meu olhar inaugure detalhes, ângulos, leituras, que passaram despercebidos no olhar anterior. Que eu me conceda a bênção de ter olhos que não se fechem ao espetáculo precioso da natureza, há milênios em cartaz, com ou sem plateia. Quero aprender a ser cada vez mais maleável comigo e com os outros. Desapertar a rigidez. Rir mais vezes a partir do coração.

Quero ter cuidado para não soltar a minha mão da mão da generosidade, durante o percurso. E, quando soltá-la, pelas distrações causadas pelo egoísmo, quero ter a atenção para sincronizar o meu passo com o dela de novo. Quero ser respeitosa com as limitações alheias e me recordar mais vezes o quanto é trabalhoso amadurecer. Quero aprender a converter toda a energia disponível às mudanças que me são necessárias, em vez de empregá-la no julgamento das outras pessoas.

Que as dificuldades que eu experimentar ao longo da jornada não me roubem a capacidade de encanto. A coragem para me aproximar, um pouquinho mais a cada dia, da realização de cada sonho que me move. A ideia de que a minha vida possa somar no mundo, de alguma forma. A intenção de não morrer como uma planta que engasgou e não disse a sua flor."

Ana Jácomo

domingo, 7 de agosto de 2011


"Você vai entrar pela porta que eu deixei entreaberta, há uma hora que eu não descolo os olhos da luz de neon do hall que se filtra como um prenúncio da tua chegada. Antes de você chegar você já chega como uma nuvem que vem na frente, antes de você chegar eu ouço sua ansiedade vindo, tua luz, teu som nas ruas, teu coração batendo mais forte porque vai me encontrar... Eu seu que minha presença te fará nervosa, tuas mãos ficam úmidas, sei que você se arrumou melhor para me ver, sabe dos vestidos que eu gosto, botou uma calcinha sexy por via das dúvidas, eu sei que você sabe que eu sei de tudo que você era e que o teu único tesouro é o que eu não sei mais... mulher... por isso teu peito dispara e você vem vindo pela rua sem ar, e você vem e você chega e entra quebrando o realismo da sala, quando você entra muda tudo, a casa fica diferente, as cadeiras se movem, os vasos de rosa voam no ar, as mesas rodam, rodam e eu começo a perder o controle da minha solidão; sozinho eu me seguro, mas você chega e eu danço, pois você sabe de mil truques para me jogar no abismo... você chega e o terrível perigo do Outro se desenha; você é  um ponto de interrogação, uma janela aberta para o ar, um copo de veneno, você é o meu medo, o mar fica em ressaca, fico a beira do riso e das lágrimas, perto do céu e perto do crime, um relógio de briga começa a contar os segundos da luta, uma multidão de fantasmas de terno e gravata me assiste com o coração sangrando, perco o controle e entramos os dois num barco em alto-mar, a deriva..."

Arnaldo Jabor - Eu sei que vou te amar

domingo, 31 de julho de 2011



E como dois corpos não ocupam o mesmo lugar, você precisa sair de si pra que eu possa entrar."

Gabito Nunes

quinta-feira, 28 de julho de 2011



“Uma paixão aqui, um quase-amor ali. Ainda bem que existem amigos para amar, abraçar, sorrir, cantar, escrever em recibos e tirar fotos bonitas. E a vida segue. Feliz. Sua imaginação te preenche, seus amigos te dão colo, vodka e dias incríveis.”

Fernanda Mello

quarta-feira, 27 de julho de 2011


"Não deixe que ele seja sua asa, no máximo um motivo para voar. Asas não nascem de novo, motivos sim."


Caio Fernando Abreu.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Dia do Amigo



“Eu gostaria de lhe agradecer pelas inúmeras vezes que você me enxergou melhor do que eu sou. Pela sua capacidade de me olhar devagar, já que nessa vida muita gente já me olhou depressa demais.”

Pe. Fábio de Melo

segunda-feira, 18 de julho de 2011

*


"Se quiser vir, que seja sem esse egoísmo tão “século-vinte-um” de trilhar caminhos pela metade, escapar pelos canteiros e me deixar falando pelos cantos. Se for pra calar minha boca, vem. Se for pra reescrever minha vida, vem. Mas que seja à caneta.”

Gabito Nunes.


*


“Gostoso mesmo é quando tudo acontece por acaso. Sem data, sem horário, apenas coincidências, ou então destino.”

Jô Soares.

sábado, 16 de julho de 2011

sexta-feira, 15 de julho de 2011




"Mesmo tendo juízo não faço tudo certo, todo paraíso precisa um pouco de inferno. Vestidos muito longos e justos incomodam, o beijo dos galãs não tem sabor, e Hollywood fica longe demais do meu supermercado favorito. Ser bela e calma, quanta inutilidade, mais vale um bom olhar profundo e uma vida de verdade, dois filhos de cabeça boa, um marido bem tarado, uma empregada chamada Maria, cinema de mãos dadas, um salário legal no fim do mês, aquela viagem marcada, novela, trânsito, profissão, sexo, banho morno, mousse de limão, me corrijam se eu estiver errada."

Martha Medeiros 

terça-feira, 12 de julho de 2011




"Não vivo procurando pelo amor, acho lindo quando ele me encontra."

Desconheço Autor

segunda-feira, 11 de julho de 2011




"Tô pagando pra ver sim, tô com a cara exposta sim, e pode doer o quanto for, podem maldizer o quanto for, o sorriso que eu levo hoje apaga todos os outros rastros."

Tati Bernardi

Ver e Ouvir

sábado, 9 de julho de 2011



"Mas você erra quando acha que alguém resolve um amor. O amor é que, se tivermos coragem pra deixar, resolve aos poucos a gente.”

Tati Bernardi

E a montanha russa não pára de dar voltas. Aliás, o mundo é que não pára de girar. De repente, em um único dia, se pode começar sentindo angústia, saudade, dor e ao passar das horas e da compreensão que vai surgindo, depois de uma bela conversa com alguém querido, a serenidade vem chegando, acompanhada de esperança, de leveza, de alivío, do sentimento de gratidão e, quem diria, de muito amor. Hoje alguém que me viu no banco no meio da semana, me perguntou se eu estava amando, porque tinha me visto bonita, mais nova e alegre. Eu ri e respondi que sim. Esse amor que chegou, na verdade que vem chegando, chega em forma de amor próprio. Não é preciso a existencia de um outro olhar pra me dar amor, nem de uma outra pessoa pra eu me sentir merecedora dele, nem a muleta de uma relação. Aqui está havendo amor daqueles mais puros. Amor por mim mesma, por quem eu sou, pelo quanto mudei, e se essa alegria e joviedade está tão aparente que até quem me vê na fila do banco nota, é tudo para mim. Não é egoísta, não entendam mal. É que o amor, que antes precisava de um outro pra existir, que quando me deixou causou dor e sofrimento, que já se faz quase 1 ano mas só agora me sinto pronta pra outra, que me fez aprender muito sobre mim e sobre relacionamentos, esse mesmo amor foi que me curou, mas foi a existencia desse sentimento, e não de alguém. Eu estou me amando e, consequentemente, claro, amando o mundo. Ando me arriscando mais, rindo mais, me aventurando mais, e não mais no exagero, na impulsividade ou no iracional. É uma calma que não quer dizer silêncio, é uma serenidade que não quer dizer lento, é um círculo que se fecha em si mesmo, pra voltar a continuar em um outro luping. Uma nova volta de 360º se aproxima e eu estou indo ao encontro dela, não há medo nenhum nisso.

A.P.

segunda-feira, 4 de julho de 2011




Aos poucos os muros que fomos construindo, porque foi preciso, começam a ser demolidos e a gente passa a receber visitas não de alguém ideal, mas real. A gente volta a se interessar não por quem tem o corpo mais bonito, o melhor emprego, o mais bem vestido ou o melhor de cama, mas sim por quem chama a gente pra ir ao cinema, quem convida pra jantar no lugar que a gente gosta, quem pergunta se o seu dia foi bom e espera a resposta. A gente percebe que não desaprendeu nada, que o tempo passado fôra necessário para voltar e ser alguém melhor, que basta se abrir e se permitir, de novo. A gente volta mais forte e menos ingênua, mas nem por isso menos doce e esperançosa. Trazemos agora a bagagem cheia, o coração leve e a alma renovada. A procura deixa de ser da boca pra fora e se torna verdade. Os caminhos escuros pelos quais se andou se tornam passado e o que virá é incerto, embora não mais adiado.

A.P.


"Há coisas que a gente não sabe nunca o que fazer com elas."
Mario Quintana

sexta-feira, 1 de julho de 2011




"Quanto mais eu me aproximo do que seria a minha volta, mais longe eu estou de querer voltar. Quanto mais eu me recupero do que doeu tanto, menos vontade eu tenho de causar dor em alguém. Esse desejo incontrolável de voltar é apenas a vida me dizendo para andar pra frente e não voltar nunca mais."

Tati Bernardi

quinta-feira, 30 de junho de 2011


"(...) Não posso mais emprestar mistério ao vazio, vida ao oco, esperança ao defunto, saliva ao seco. Não posso mais emprestar meus desejos para que pessoas se tornem desejáveis. E, finalmente, não posso mais inventar amor só para poder falar dele."

Tati Bernardi

segunda-feira, 27 de junho de 2011




"Estão todos olhando a moça passar. Falam de seu corpo, comentam seu mistério, disputam sua atenção. Mas se a moça olha, mudam de assunto, se a moça pede ajuda, ninguém escuta e se quiser companhia - coitada da moça! - vai continuar só. É assunto na academia, atrai olhares no trabalho e quando sai de noite também. Mas ela dorme sozinha e tem um vazio no peito que ninguém tem vontade de ocupar. A Menina tem um coração pesado que ninguém quer carregar. Quem olha de longe não percebe e quem não se aproximar nunca vai saber: a Menina gosta livros e Jazz, queria saber dançar, troca uma balada pra assitir a Orquestra, gosta de andar até as pernas reclamarem, tem preguiça de filme cult e vê pequenos detalhes onde os outros enxergam cotidiano. E, acima de tudo, está cansada de tanto assustar e afastar as pessoas, cansada de esperar vidas se resolverem por uma promessa de futuro e ficar pra trás mais uma vez. Quem vai cuidar da Menina triste? Quem vai levar de prêmio seu amor? Quem tem coragem de assumir o desafio e o coração pesado? Apostem suas moedas, esperem o próximo capítulo. Enquanto isso, a Menina também espera, e esperar dói."

Verônica Heiss

sábado, 25 de junho de 2011

Será que Ele sabe o quanto é difícil receber uma mensagem como essa, quase as sete horas da manhã?

"Quase não consigo dormir pensando em ti. É São João e eu me lembro do ultimo. Podemos não ter muitas lembranças juntos, mas eu poderia repetir o som da tua voz. Eu ainda lembro, nitidamente, do som do tua gargalhada, da tua voz de manhã, abafada, do teu "bom dia" sussurado ao pé do ouvido, do teu corpo se aproximando do meu, sem pedir nada. Eu me lembraria da cor da tua calcinha, de como eu prendia o deu cabelo em minhas mãos, do cheiro do teu pescoço por um instante. E eu lembro, a cada dia que amanhece, da falta que o teu "bom dia" me faz, do vazio que a ausência do teu "boa noite" me causa e, por mais que eu me arrependa e tente voltar atrás, nada será como antes. Você não me quer mais por perto, pedes pra que eu não te procure, e, embora eu tente respeitar teus desejos, a falta que tu faz é ainda maior. Não sei como dizer, mas eu te amo. E, embora isso hoje pouco importe, te sinto minha e te deixar ir ainda é uma difícil despedida."

sexta-feira, 24 de junho de 2011




Hoje, pensando naquelas palavras que começam com "im/n", como impossível, invisível, instável, incompreensível, e tantas outras eu me dei conta da palavra que talvez seja a minha predileta: improvavel. Ela tem um quê de surpresa, de fora do esperado, de algo que não cabe a previsão e ao controle, que foge de regras e conjecturas. Improvavel, em livre tradução, aquilo que escapa e que lhe surpreende.





Ps. Algo me diz que essa descoberta irá me render uma tatuagem nova.

quinta-feira, 16 de junho de 2011



"Poderia seguir meu sonho, mas não lembro dele essa manhã. Hoje acordei pra viver, levantar e seguir em frente. Porque a vida sempre pede um pouco mais da gente. Veja bem, a vida, não os outros. Hoje vou viver pra esperança, pra coisas bonitas e sorrisos largos. Mesmo que tudo dê pra trás. Hoje vou andar de mãos dadas com meu anjo da guarda e prometo me esforçar pra ser boa. Hoje vou viver na Terra cheia de Céu."

Vanessa Lombardi

terça-feira, 14 de junho de 2011




"Tem coisa que eu deixo passar. Não vale a pena. Tem gente que não vale a dor de cabeça. Tem coisa que não vale uma gastrite nervosa. Entende isso? Não vale. Não vale dor alguma, sacrifício algum."

Cazuza

sexta-feira, 10 de junho de 2011




"O que ela quer é falar de amor. Fazer cafuné, comprar presente, reservar hotel pra viagem, olhar estrela sem ter o que dizer. Quer tomar vinho e olhar nos olhos. Ela quer poder soprar o que mora dentro, o que não cabe, que voa inocente e suicida. Ela quer o que não tem nome. Quer rir sem saber de quê, passar horas sem notar, quer o silêncio e a falação. Ela quer bobagem. Quer o que não serve pra nada. Quer o desejo, que é menos comportado que a vontade. Ela quer o imprevisto, a surpresa, o coração disparado, o medo de ser bom. Quer música, barulho de e-mail na caixa, telefone tocando. Ela tem muito e quer mais. Quer sempre. Quer se cobrir de eternidade, quer o oxigênio do risco pra ficar sempre menina. Ela quer tremer as pernas, beijo no ponto de ônibus e a milésima primeira vez. Quer cor e som, lembrança de ontem, sorriso no canto da boca. Ela quer dar bandeira. Quer a alegria besta de quem não tem juízo. O que ela quer é tão simples. Só que ela não é desse mundo."

Cristiana Guerra

quinta-feira, 9 de junho de 2011




"Sempre fui sentimental e nunca levei adiante relações em que não estivesse emocionalmente envolvida, e por mais que eu pareça ser durona, é apenas fachada. Só eu sei o quanto já sonhei em ser uma princesa resgatada da torre de um castelo."

Martha Medeiros, em: Fora de Mim