sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011



Tem quantas pessoas por aí? Lá, do outro lado da rua, no estado do lado, no país que faz fronteira com o nosso, no mundo? 6 bilhões e alguma coisa? Ok. Então será que a gente pode deixar de olhar tanto pro nosso umbido? De fazer drama com nossas novelas mexicanas? De dar tanto valor as coisas? Eu, ao menos, sou só uma pessoa, no meio de tantas, tentando fazer as coisas darem certo e quando elas não dão, tudo bem, faz parte da vida. Quanta pretenção achar que as nossas dores são as maiores, os nossos erros os mais imperdoáveis, as nossas vidas as mais sem saída. Eu só estou aqui, vivendo um dia de cada vez, como posso, como consigo, como dá pra ser. "É o que tem pra hoje!".  Não estou falando que não doa, que a vida as vezes não seja dura e injusta, que ficamos confusos, tristes e sem perspectiva. Eu apenas, na minha modesta opinião, acho que é preciso olhar além disso. Não olhar pra dor do outro, pra fome na África, pro HIV pelo mundo, pras catastrofes naturais e morte de centenas e milhares de pessoas, pros crimes brutais que acontecem cada vez mais próximo da gente. Essas dores não se avaliam, não se comparam. Estou falando do que ainda nos une em comum, da trajetória de vida que cada um possui e é responsável, das escolhas que fazemos, inclusive, na forma de olhar ao redor. Humildemente eu vos digo que não tenho pretenção alguma de encontrar as respostas, de fazer tudo certo e ser legal com todo mundo, de passar pela vida sem machucados ou marcas, de curar ao mundo ou a mim mesma, eu apenas levo a minha vida e faço as minhas escolhas pensando em duas coisas: minha paz de espírito e minha verdade. Não prometo céus e terras a quem quiser, por livre e espontânea vontade, me acompanhar, nem prometo ser sempre carinhosa, compreensiva e amiga; alguns dias vou falar palavrão e te mandar pra merda, vou querer sumir e me recolher no canto onde só eu tenho acesso, o meu próprio universo. Eu vou magoar algumas pessoas, vou fazer chorar quem eu mais amo, vou amar e, talvez, desamar ainda, mas eu sempre vou passar por isso carregando amor no meu coração e na minha alma e sempre vou, no final das contas, encontrar essa parte de mim tão simples e compassiva, o olhar atencioso e a verdade pulsando em cada milimetro do meu corpo. De ante mão já peço desculpas pelos erros que ainda irei cometer, entenda que mesmo que eu seu seja grande e forte eu não sou duas nem melhor por causa disso. Eu só quero é levar as coisas menos a sério, deixar a minha vida correr pra onde ela tem que correr, me levar pra onde ela deve me levar, não a deriva no mar, mas bem direcionada para a minha paz e para a minha verdade, por mais que eu me perca no caminho de vez em quando. Eu só quero mais que saber, sentir que o mundo é simples, nossas escolhas feitas e refeitas todos os dias, que não somos de açucar então não nos desmanchamos caso chova, porque as nossas asas não são tão frágeis quanto podemos imaginar e o voo pode sim ser alto, longo, sereno e prazeroso. Eu quero a luz o tempo todo, não apenas no final no túnel, eu quero a paz não apenas no dia do Juizo, eu quero o perdão pra cada falha e tropeço, eu quero mão estendida pra cada vez que levantar for preciso, eu quero platéia pra me dar aplausos, eu quero colos pra me dar conforto, eu quero sorrisos pra abrir caminhos, eu quero carinho pra conseguir subir as escadas, eu quero hoje, sabendo que amanhã tem mais, que sempre tem mais, sentindo cada célula saldável do meu corpo, o sangue alimentando todas elas, o oxigênio passando por todos os glóbulos e no fim, como diria Chaplin, num orgasmo, ver o nascer de uma nova vida. A minha, a sua, a da humanidade. Que assim seja!

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